Vol. 8 nº 3 abril/2021

Seminário Discurso, gênero e sexuação

Vol. 8 nº 3 abril/2021

Seminário Discurso, gênero e sexuação


Debates

​A transferência ainda e sempre

Lucy Linhares da Fontoura

Em 2020, estreou na Netflix uma série austríaco-alemã – FREUD - que encena a vida de um jovem Sigmund Freud, em seus anos iniciais de prática médica, em Viena. A série é apresentada como “criminal”, traz uma reconstituição de época primorosa, foi filmada em Praga, por suas semelhanças com a Viena da época, e, logicamente, é falada em alemão, o que já lhe empresta uma credibilidade suplementar – até aqui tínhamos Freud falando em inglês nos filmes que o tematizaram. Seu roteiro, ágil e ficcionalmente engenhoso, constrói uma atmosfera sombria e misteriosa, em que se combinam as enigmáticas doenças nervosas, que causam rechaço nos impotentes doutores, a invulgar capacidade de investigação do jovem médico, cujo interesse é despertado por elas, seu desejo de reconhecimento e, com grande clarividência, o lugar da sugestão como potência de domínio ou libertação do sujeito.

Há interessante convergência entre o tema que vimos trabalhando na Associação - a transferência –, os seminários do por enquanto, no tempo da pandemia, com os colegas da nova turma do Percurso em Psicanálise, em que começamos por revisitar casos clínicos iniciais de Freud, e essa apresentação ficcional contemporânea, dos antecedentes do que viria a ser, alguns anos e muitas elaborações depois, uma clínica psicanalítica.

Em nossa retomada dos primórdios da clínica freudiana, trabalhamos o caso de Elisabeth von R, dos Estudos sobre a histeria (FREUD&BREUER, 1893-1895), que Freud situa como a primeira análise completa de um caso de histeria que ele empreendeu, “com a qual cheguei a um procedimento que elevei à condição de método: a remoção do material patógeno estrato por estrato, técnica comparável à da exumação de uma cidade enterrada.” (FREUD&BREUER [1893-1895], 1990, p. 154/155)

Para a tomada do caso, situamos três eixos: primeiro, o corpo afetado pelas representações psíquicas (recalcadas), isto é, a questão da conversão histérica e o afastamento do campo médico propriamente dito; segundo, a palavra como via de expressão e cura e terceiro, a relação médico-paciente, a sugestão e a hipnose como antecedentes da noção de transferência.

Freud observa que Elisabeth apresenta um caminhar que não corresponde a nenhuma das descrições da patologia, queixa-se de dores e de uma fadiga imediata ao caminhar ou ficar de pé, sendo o foco a região das coxas, na qual a pele e a musculatura mostram-se particularmente sensíveis à pressão e estimulação. Observa também que a descrição que ela faz de seus sintomas é vaga, que ela parece alheia ao descrevê-los e que sua expressão facial denota prazer no exame físico dos pontos dolorosos, o que ele interpreta como ela estando mais atenta aos seus pensamentos e sensações associadas, “escondidos” por trás das dores. Consequentemente, Freud considera que se trata de uma enfermidade mista, prescreve massagens e “... se reserva o tratamento das pernas com intensas descargas elétricas, a fim de poder manter-se em relação com a paciente” (Ibid.). Enquanto isso, seu colega, que já atendia a paciente e sua família, ou seja, gozava de sua confiança, “... prepara o terreno para o tratamento psíquico” (Ibid.). Após quatro semanas do que Freud mesmo nomeia como pseudoterapia, quando ele lhe propõe o novo método, “... ela entende e aceita com mínima resistência” (Ibid.).

Sobre o tratamento catártico, Freud situa que, se a paciente sabe a origem, a ocasião em que começou seu padecer, basta ouví-la com interesse e perspicácia, que se lhe inspirará confiança e ela revelará seu segredo. Aqui, como em muitas outras ocasiões, traz o criador literário em seu apoio: “Sua máscara revela um sentido oculto” (Goethe). Depois, Freud formulará que não se trata de segredo intencionalmente ocultado, mas da operação psíquica do recalcamento (Verdrängung), que ele inicialmente situa como “corpo estranho à consciência” ou “grupo psíquico separado da consciência”, em As neuropsicoses de defesa, de 1894.

A partir da aquiescência de Elisabeth ao novo método, ele passa a pedir-lhe que relatasse o que sofria, enquanto ele observava as lacunas, os elos faltantes, penetrando mais profundamente nas lembranças, através de uma técnica sugestiva: ele a fazia deitar-se, fechar os olhos e seguir falando. Sua premissa era buscar o determinismo que deveria se demonstrar nessa exploração.

Desde logo, aparecem um intenso apego ao pai (enquanto a mãe era acometida de uma doença ocular e também de estados nervosos), bem como uma inconformidade com sua condição de mulher: Elisabeth desejava estudar ou adquirir formação musical, se indignava ante a ideia de ter que sacrificar em um casamento suas inclinações e sua liberdade de pensamento. O pai a descrevia como o filho homem que não tivera e o equivalente a um amigo com quem podia trocar ideias. Sobrevém a doença do pai, a intensa dedicação de Elisabeth a seus cuidados, a morte do pai, o casamento de uma irmã, que se revelou opressivo, e a mudança do casal para cidade longínqua, todos esses reveses trazendo a Elisabeth múltiplas ocasiões para reprimir seus pensamentos e a expressão de seus sentimentos, ao mesmo tempo em que lhe trouxeram também a sensação de impotência perante seus votos de superação para toda a família, desde a morte do pai. Em seguida, a mãe piora de sua condição, sofre uma intervenção cirúrgica bem sucedida, à qual se segue o falecimento da outra irmã.

Freud aborda o caso através de uma análise perspicaz da história da paciente, de seus sintomas, dos enlaces simbólicos e nas hipóteses de trabalho que formula, ao mesmo tempo que demonstra grande sensibilidade no relato e simpatia para com a paciente. “Essa era a história de sofrimento desta garota ambiciosa e necessitada de amor.” (FREUD, 1990, p. 159) “... [que influência teria] a senhorita Elisabeth referir uma vez mais a um estranho, que em troca lhe tributava uma forte simpatia, a história de seu padecimento dos últimos anos...” (Ibid.)

Revela também sua desilusão, tanto com não encontrar a causa da conversão histérica no trabalho de rememoração com a paciente, como com os parcos efeitos da confissão em termos terapêuticos. Ainda assim persiste, lançando mão do artifício sugestivo (pressão na fronte), uma vez que a hipnose não surtia efeito para a paciente.

Surge, então, a história de seu primeiro amor, vivenciada em plena vigência da doença do pai. Freud faz a leitura de que o contraste entre o enlevo do enamoramento e a miséria do estado doente de seu pai produziu um conflito, configurando uma inconciliabilidade em seu psiquismo.

“Como resultado do conflito, a representação erótica foi recalcada (forçada à expulsão) da associação e o afeto a ela aderido foi aplicado para aumentar ou reanimar uma dor corporal presente de maneira simultânea (ou pouco anterior). Era, pois, o mecanismo de uma conversão com o fim de defesa...” (FREUD&BREUER, [1893-1895], 1990, p. 161/162)

A partir do “descobrimento da primeira conversão”, diz Freud, ou, diríamos nós, da interpretação de seu sintoma conversivo, a paciente mesma passa a encontrar os elos entre os sintomas e o “esquecido”, passando também por um período de “ab-reação”, no qual tinha que reviver cada um dos acontecimentos associados às dores.

Nesse percurso, Freud descobre que, para o estabelecimento da astasia (dificuldade de sustentar uma postura), em seu caso, ficar de pé – stehen - abasia (impossibilidade de caminhar), contribuiu uma simbolização. Numa série associativa, aparecem os pensamentos de Elisabeth sobre sentir-se magoada em sua solidãoAlleinstehen; em outra série associativa, que trazia suas malogradas tentativas de estabelecer uma nova vida familiar, ela repetia que o sofrimento agora era o sentimento de desamparo, a sensação de não avançar um passo. (FREUD&BREUER, [1893-1895], 1990, p. 167) Vemos aqui Freud trabalhando diretamente na língua, no “ao pé da letra”, perspectiva que tomará cada vez maior expressão na clínica psicanalítica.

Finalmente, ajudado por uma ocorrência casual - a chegada do segundo cunhado e a reação vivaz e animada de Elisabeth, Freud pôde formular a interpretação que vinha se impondo. Ela lhe contara de um passeio com o cunhado, durante a doença de sua irmã, que resultara em dores; associara o sentimento de contraste entre sua solidão e a felicidade conjugal da irmã, que ela testemunhava. Indagando mais detidamente sobre o surgimento das dores, Freud ouve sobre a sua fragilização com a doença da mãe, o esmorecimento de sua determinação de prescindir do apoio de um homem e o aparecimento de uma aspiração a ser amada. Quando a irmã morrera, um pensamento a assaltara: “Agora que ele está livre novamente, posso tornar-me sua esposa.”

Aqui destacamos três elementos:

- a ideia de defesa frente a uma representação inconciliável: “... na primeira vez, o momento em que o círculo de representações de seus deveres com o pai enfermo entrou em conflito com o conteúdo que naquela época tinha seu ansiar erótico.” (FREUD&BREUER, [1893-1895], 1990, p. 178);

- a gênese de sintomas histéricos por conversão de uma excitação psíquica ao corporal: “Segundo a concepção que parece convir à teoria da histeria como conversão: ela recalcou (desalojou) a representação erótica de sua consciência e transformou sua magnitude de afeto em uma sensação de dor somática.” (Ibid.):

- a formação de um grupo psíquico separado pelo ato da vontade, que leva à defesa: “A jovem havia dirigido a seu cunhado uma inclinação amorosa, contra a qual se rebelava sua moralidade. Havia conseguido poupar-se a admissão de que amava o marido da irmã, através de criar-se dores corporais, em seu lugar. Na época em que empreendeu o tratamento, a segregação já havia se consumado; caso contrário, não teria consentido no tratamento.” (FREUD&BREUER, [1893-1895], 1990, p. 171)

Nesse ponto, Freud postula a divisão (cisão) da consciência, em que o amor pelo cunhado estava presente na consciência de Elisabeth ao modo de um corpo estranho, sem entrar em relação com o resto de seu representar. “Havia preexistido esse singular estado de saber e ao mesmo tempo não saber sobre essa inclinação, o estado do grupo psíquico divorciado.” (FREUD&BREUER, [1893-1895], 1990, p. 179, grifo nosso)

Freud situa que, para que se organize a defesa, a representação inconciliável deve ter se apresentado à consciência, sendo que “... a esses momentos cabe designar como traumáticos.” (FREUD&BREUER, [1893-1895], 1990, p. 180/181) Aponta também a tramitação com posterioridade dos traumas reunidos durante o cuidado de um enfermo, particularmente quando este morre, ou não se recupera. No caso de Elisabeth, frente à aparente contradição entre a ausência dos sintomas durante o período em que vivenciou a enfermidade e a morte do pai e seu aparecimento posterior, Freud propõe que as dores – o produto da conversão – se geraram como efeito retardado, a posteriori, quando a paciente produziu aquelas impressões vivenciadas em seu pensamento. “A conversão não se seguiu às impressões frescas, mas à sua lembrança.”(FREUD&BREUER, [1893-1895], 1990, p. 182)

Nos encaminhamentos finais do tratamento, Freud se dispõe a “... contribuir ainda mais para o benefício de sua paciente” através de “... ocupar-se como um amigo de situações do presente”. (FREUD&BREUER, [1893-1895], 1990, p. 172) Vai falar com a mãe dela, que lhe esclarece alguns mal-entendidos familiares que haviam feito Elisabeth sofrer, ao mesmo tempo em que encontra nela e no meio familiar resistência à hipótese de Elisabeth encontrar sua felicidade com o viúvo de sua irmã. Comunica à paciente seus achados. O tratamento se conclui. Algumas semanas depois, a mãe lhe escreve, desesperada, e lhe comunica que, à primeira tentativa de falar com Elisabeth sobre os assuntos de seu coração, ela se revoltara e, desde então, dores violentas haviam voltado a ocorrer. Mostrava-se desgostosa com o fato de Freud haver traído seu segredo e rechaçava sua interferência. Sendo assim, segundo a mãe, o tratamento fracassara completamente. Freud não responde; limita-se a refletir que “... era de se esperar que a paciente fizesse a tentativa de rechaçar a intromissão da mãe e recolher-se em sua reserva, depois que havia se libertado de meu domínio.” (FREUD&BREUER, [1893-1895], 1990, p. 174, grifo nosso)

Em várias das observações e comentários que recortamos ao longo da exposição do caso, fica marcado que Freud reconhecia o lugar e o efeito da confiança na relação médico-paciente, tanto em termos de cativar a disponibilidade da paciente para franquear-lhe seus pensamentos mais íntimos, como na conquista de sua disposição em lançar-se numa busca sem garantia de resultado, busca essa que não era sem sofrimento.

Do ponto de vista da posição dele, podemos destacar dois elementos: seu interesse em ouvir o sofrimento dessas mulheres, daí depreender os elementos constitutivos e obter como efeito a cura, assim como seu envolvimento numa escuta intensiva, que se estendia por semanas (ou meses), com cada paciente. De sua implicação ele testemunha expressamente ao relatar sua “forte simpatia” pela paciente e, de modo muito eloquente, ao redigir aquelas histórias clínicas com tanta sensibilidade, perspicácia e detalhe.

Esse posicionamento a série televisiva também retrata, aliás não só do jovem Sigmund Freud, como também de seu mentor, Josef Breuer, cuja sagacidade e brandura com as pacientes histéricas lhe possibilita um acesso facilitado à sua subjetividade. Breuer o previne quanto aos limites da relação médico-paciente e ambos discutem a propósito do caso de Bertha Papenheim, a Anna O dos Estudos sobre a histeria. O ponto de discórdia é a negativa de Breuer em admitir o elemento erótico em jogo no caso, que acaba se atualizando no tratamento, na relação com o médico. No andamento de sua escuta psicanalítica, Freud passa a reconhecer essa atualização e a nomeia como o fenômeno transferencial.

No momento retratado ficcionalmente na série, ainda estamos na transição entre uma clínica médica e a que viria a se constituir numa clínica da escuta propriamente. Freud já estivera em Paris, estudando com Charcot e retornara impressionado com a hipnose como meio de acesso à histeria. Sua utilização do método foi gradativamente se mesclando com a escuta da fala das pacientes, seja porque algumas, como Elisabeth von R., não eram suscetíveis à hipnose, seja porque foi percebendo que os efeitos da sugestão só se consolidavam mediante a lembrança e tomada de consciência do paciente. Nas intervenções que faz com os personagens da série – o policial Kiss, a “médium” húngara Fleur Salomé e o príncipe austríaco, filho do Imperador Francisco José – já se retrata a articulação entre a técnica sugestiva, a rememoração por parte do paciente e sua consequente apropriação do que se encontra recalcado.

Freud era interessado nas mitologias como traduzindo elementos da subjetividade humana. Assim, não vacila um momento em reconhecer na força demoníaca Taltos, invocada pelos húngaros Fleur Salomé e seus mentores, os nobres Sophia e Viktor von Szápáry, um desdobramento do psiquismo da jovem médium, frente ao trauma precoce da chacina de seu povoado, que ela assistiu, por volta dos cinco anos de idade. Nos personagens húngaros se tematiza a tensão entre a Hungria e a Áustria, que cerca de vinte anos antes haviam firmado o Compromisso Austro-Húngaro (1867), entre a nobreza húngara e o império austríaco, passando a constituir o Império Austro-Húngaro (1867-1918). A série retrata com atualidade os efeitos nefastos da discriminação, no caso aos húngaros, o desprezo austríaco por sua cultura, a revolta e o ressentimento que vêm fermentando nesses anos de uma aliança conflituosa. Em dado momento, se faz referência à aproximação entre húngaros e judeus, enquanto discriminados.

A conspiração húngara, via os von Szápáry, para minar a monarquia austríaca se faz através de subjugar as mentes de alguns de seus representantes – um oficial do exército, um nobre, um artista, o príncipe herdeiro austríaco. O personagem Freud interpreta esse domínio como se exercendo sobre os elementos pulsionais recalcados em cada um, elementos esses que não puderam ser elaborados ou tramitados sublimatoriamente.

Com a personagem da jovem médium se desdobra um engate transferencial potente, no qual se retrata a paixão de saber do clínico, sua obstinação e perspicácia na decifração da articulação entre o sintoma histérico e o vivido, isto é, as representações psíquicas, bem como a fronteira entre o amor de transferência na situação do tratamento e a relação intersubjetiva. Aqui vale evocar Lacan, ao começar a situar os elementos singulares da transferência, em seu seminário sobre o tema (1960-1961):

“A extrema decência, que bem se pode dizer ser mantida o mais das vezes na relação analítica, leva a pensar que, se o confinamento regular dos dois interessados num recinto ao abrigo de toda indiscrição só muito raramente atinge uma imposição do corpo de um sobre o corpo de outro, é que a tentação que esse confinamento provocaria em qualquer outra ocupação é menor aqui do que alhures.” (LACAN, 1992, p. 22)

A prática analítica não é relativa ao corpo, é relativa ao significante. “Nada menos erótico do que a leitura dos estados instantâneos do corpo, pois é em termos de significante que esses estados do corpo são traduzidos” (Ibid.). O que nos interessa são os significantes que colocam o corpo em questão perante o Outro, pois é aí que se abre o espaço para a fantasmática.

Chama a atenção também, tanto nas intervenções de Freud com o policial Kiss, como com Fleur Salomé, sua convicção firme e destemida em levar cada um deles no caminho de destampar seus demônios e confrontá-los com seu desejo. O policial escolhe o caminho subterrâneo, identificando-se com sua fera ferida.

É muito bonito o trabalho de interpretação com Fleur Salomé, no qual ela integra suas identificações dissociadas - a menina indefesa de sua infância, a entidade demoníaca que a protege e a mulher que ela se tornou - sustentada no acompanhamento daquele que lhe afiança sua potência em sair da condição de subjugação em que se encontra, reconhecendo em si própria os elementos representados nesses desdobramentos de si, desde que esse seja seu desejo. Note-se a sutileza com que se representa essa cena na série: no momento em que ela faz a escolha crucial, desafiada energicamente por seu doutor, que lhe questiona sobre seu desejo, ao mesmo tempo em que lhe afirma a potência deste, ele não a olha diretamente, seu olhar se desvia intencionalmente, como a resguardar-se da “cena” para poder operar.

Em mais um acerto da equipe responsável pela elaboração da série, o personagem Freud, a certa altura, afirma que o domínio das mentes através da sugestão seria a potência do século que estava à frente. No caso clínico de Elisabeth von R., Freud reconhece a libertação da paciente de seu domínio. No caso ficcional, é a paciente que vem despedir-se e o faz enunciar o fim do tratamento e “chamar” o próximo paciente, alusão interessante ao desenlace transferencial necessário.

Nesses elementos apontados, nos parece sugestiva e instigante a dimensão de fascínio que a sugestão/transferência convoca e seu desdobramento como domínio do sujeito ou como possibilidade de libertação.

REFERÊNCIAS:

FREUD, Sigmund e BREUER, Josef. Estudios sobre la histeria (1893-1895) In Sigmund Freud Obras Completas. Buenos Aires: Amorrortu, 1990. v. II

FREUD. Marvin Kren (direção e roteiro), Benjamin Hessler e Stefan Brunner (roteiro). Série austríaco-alemã. 8 episódios. Netflix, 2020.

LACAN, Jacques. O SEMINÁRIO. Livro 8. A transferência. (1960-1961). Rio de Janeiro: J. Zahar, 1992.

 

Lucy Linhares da Fontoura é psicanalista, membro da APPOA.





abril de 2021 - Correio APPOA